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MULHERES COM DIFERENTES HISTÓRIAS, TENDO O SUCESSO COMO PONTO EM COMUM, CONTAM SUAS TRAJETÓRIAS NO FÓRUM MULHERES DO CAMPO

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Realizado neste ano de forma online, o Fórum Mulheres do Campo promovido anualmente pelo Cat Sorriso contou com a participação de mulheres bem sucedidas que falaram um pouco de suas trajetórias em diversas áreas, abordando a temática: “Estratégias de Sustentabilidade em Campo”.  São diferentes histórias, mas todas elas com um ponto em comum: o sucesso.

O Fórum contou com a participação da presidente do Cat Sorriso, Dudy Paiva, da produtora Rita de Cássia Hachiya, proprietária do sitio Vila Láctea, localizada no Assentamento Jonas Pinheiro, da presidente da ASR – Associação de Mulheres de Rotarianos e Coordenadora Estadual da Pastoral da Pessoa Idosa, Cecília Crestani, da produtora rural Silvia Filipetto, da artista e escritora Vilma Machado e do juiz Anderson Candiotto falando sobre o atendimento pela Rede Mulher.  

O fórum foi mediado pela diretora de projetos do Cat Sorriso, Cristina Delicato que explicou que neste ano o formato online foi adotado como medida de segurança em saúde pela pandemia da COVID.  

A presidente do Cat, Dudy Paiva abriu o fórum falando em nome da entidade e contou sua história de sucesso. Dudy contou que veio para Sorriso na década de 70. Tiveram que abrir a fazenda e iniciar o pasto. Antes disso pegava onda na praia em Ubatuba – litoral de São Paulo. No início foram muitos desafios, que inclusive teve que coordenar a fazenda com 20 peões e no início entregavam leite na cidade. Ela contou que muitas pessoas voltaram para o Sul. O filho teve malária e eles também pensaram em voltar para São Paulo. Eram poucas as famílias em Sorriso e eles participaram de todo o crescimento da cidade. Hoje a fazenda é certificada, com cuidados com a preservação e tem toda produção sustentável. Ela passou a mensagem de que as mulheres não tem que desistir nunca, são fortes, trabalham fora, trabalham em casa e a cabeça da mulher não para nunca. Ela contou que ficou arrasada com o incêndio que consumiu 90% da fazenda, mas nem por isso ela e a família desistiram. “Sou uma mulher que sempre tive muita força e coragem. Em 2013 para 14 tive um câncer de mama, não desisti, não morri, estamos aqui e vamos em frente. O meu passado foi bonito, o meu presente é maravilhoso e acredito que o meu futuro vai ser muito melhor ainda”. 

Daniela Mariuzzo, diretora executiva da IDH Brasil relembrou o início de sua carreira e que não imaginava chegar onde está hoje. Ela contou que estudou engenharia de alimentos e o curso abriu muitas portas. Depois fez mestrado e doutorado e viu que podia aprender ainda mais. Resolveu fazer uma bolsa de estudos na Alemanha e passou a trabalhar com o tema sustentabilidade voltada a pecuaristas. Com a idh surgiu oportunidade de viajar para o mundo inteiro e conhecer diferentes realidades. Segundo ela a sustentabilidade tem vários ritmos dependendo do pais ou empresa. Daniela contou que em Mato Grosso, a idh ajudou a criar a estratégia PCI – Produzir, Conservar e Incluir. Em 2017/18m municípios como Sorriso implementaram o pacto PCI e seu conjunto de metas. Uma das metas do Cat no município é ampliar a certificação de soja responsável e promover a legalização fundiária junto aos assentamentos. “O trabalho desenvolvido pelo Cat Sorriso é único e inédito no mundo, o compromisso firmado entre o setor privado, público, produtores, empresas e a sociedade civil com metas a longo prazo e espera-se trazer também investidores”. 

A produtora de leite e queijos, Rita Hachiya, do sitio Vila Láctea falou que começou do zero e que não sabia tirar leite. No começo não contava com infraestrutura adequada no sitio em que cria vacas Jersey, não havia pastagem formada. E quando percebeu que o rendimento apenas com o leite estava sendo pouco, tratou logo de aprender a fazer queijos. Hoje conta com o SIM – Selo de Inspeção Municipal e o selo Susaf. “Uma novidade é que agora oferecemos o leite 2 a 2, que não produz a proteína que dá a chamada intolerância isso agrega valor e torna a produção sustentável. Sempre prezamos pela qualidade do produto e o cliente agradece e pede para nunca pararmos de produzir. Fico feliz em levar qualidade de vida às pessoas”.  

A produtora rural, Silvia Filipetto contou que através do seu trabalho ao lado do esposo, Silvano Filipetto pretende dar continuidade ao trabalho que os sogros começaram. Ela lembrou que antes trabalhava em salão, mas deixou a atividade para se dedicar as fazendas que produzem soja e milho com integração com a pecuária. Silvia relatou que implantaram algumas iniciativas na fazenda para uma produção sustentável como a utilização de produto a que provoca o aumento de bactérias vivas para trazer equilíbrio no solo e com isso diminuir o uso de agrotóxicos e defensivos, além de diminuir a necessidade de aragem e faz com que a semente germine melhor. Também promovem a rotação de culturas e variedades, o que ajuda a melhorar a questão de nutrientes no solo e evita nematoides. Os produtores investem na produção da árvore kiri, favorável para uso na lenha e alimento para o gado, ajuda no solo e faz sombra. “Estamos usando menos agrotóxicos e defensivos, não temos como fugir deles, mas usamos na medida liberada por lei. Estamos fazendo o plantio de arvores em um projeto de reflorestamento. Aos poucos vamos criando uma propriedade mais sustentável”. 

Cecília Crestani, da ASR – Associação de Senhoras de Rotarianos falou sobre projetos da Casa da Amizade, que há 35 anos em Sorriso está sempre atenta participando dos eventos, em parceria com o Cat Sorriso e buscando promover o empreendedorismo entre as mulheres, que estão mais participativas e atentas a importância do seu papel social e ambiental. E a Casa da Amizade também tem trabalhado para fortalecer a participação ativa das mulheres, alargando sua visão no empreendedorismo e também em relação ao agronegócio. Temos dado ênfase a valorização da mulher por meio de cursos profissionalizantes, valorização da leitura junto as famílias. E a Casa da Amizade apoia os projetos do Cat voltados à preservação do meio ambiente, bem como ações que possam promover sustentabilidade e a criação de uma sociedade mais justa e igualitária”. 

A artista e escritora Vilma Machado relembrou a Carta da Terra criada em 2000 onde suas prioridades eram uma sociedade global justa, uma sociedade global sustentável e uma sociedade global pacífica. Em 2010, a Carta da Terra das mulheres do Médio Norte de Mato Grosso feita por mulheres do Agronegócio e da Agricultura Familiar no município de Sorriso. “De 2010 pra cá muita coisa foi feita, muitas ações, muitas mulheres se associaram a outras mulheres experientes e juntas criaram algo, que foi um pacto criado onde essas mulheres fizeram um pacto não só com elas mesmas, mas umas com as outras, são mulheres guerreiras que só vamos ter bons exemplos para levar em cada fórum que vocês vão estar fazendo. Como nós mulheres queremos estar daqui a 10 anos, o que almejamos construir, trabalhar, compartilhar informações e experiências. Quanto mais unidas vocês estiveram, mais fortes vocês vão estar”. 

O juiz de direito da Comarca de Sorriso, Anderson Candiotto falou sobre a violência praticada contra a mulher e as estratégias para que a sustentabilidade que hoje se busca no campo também seja alcançada na sociedade, para que esta seja mais equilibrada, justa, digna e com valores de cidadania que todas as pessoas desejam. “A sustentabilidade precisa alcançar a sociedade como um todo, principalmente às mulheres, no contexto social desempenha um papel de suma importância, mas nem sempre há o respeito e a valorização que a mulher merece. Os números de crimes bárbaros praticados contra as mulheres são alarmantes. A rede mulher fortaleceu todos os atores que trabalham nessa rede de proteção e a mulher ganhou uma estrutura melhor e medidas de proteção para acolhê-las. A prática da violência contra a mulher é inadmissível e deve ser tratada com tolerância zero, com agressores presos, implantação do botão do pânico que a mulher aciona a polícia, suporte com abrigo, acompanhamento psicológico, cursos de capacitação e oficina de ressocialização aos agressores. Só teremos uma sociedade sadia, justa e equilibrada, se todos os atores desse contexto social forem respeitados e principalmente quando as mulheres forem individualmente respeitadas ”.  

O Fórum foi uma realização do Cat Sorriso e da Idh – Iniciativa para o Comércio Sustentável e teve o apoio do Sindicato Rural, da Acrismat, da Prefeitura de Sorriso, da Associação Senhoras de Rotarianos, da Rede Mulher e tem como parceiro a Associação Produtiva Mulheres da Poranga.

Na oportunidade foi entregue uma máquina moto semeadora para produtores de produtos orgânicos da Agricultura Familiar do Assentamento Projeto Casulo.

Para saber mais informações acesse o site: www.catsorriso.com.br, ou ligue: 3544-3379. O Cat Sorriso funciona em sala anexa ao Sindicato Rural de Sorriso, na Avenida Marginal Esquerda, 1415.