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Mulher de fibra que enfrentou o câncer de mama: Dudy Paiva, a surfista que se tornou produtora rural conta sua trajetória no Fórum Mulheres do Campo nesta quarta (25/11)

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A produtora rural Dudy Paiva, presidente do Cat estará palestrando no Fórum Mulheres do Campo. Neste ano o fórum será online e terá o tema “Estratégias de Sustentabilidade em Campo”. O evento será realizado no dia 25/11, às 19h (MT), quando diversas mulheres de sucesso contarão um pouco de sua história.

De surfista à agropecuarista

A trajetória de sucesso de Dudy Paiva começou em 1978, quando ela e o marido decidiram deixar o litoral de São Paulo para investir nas terras férteis de Mato Grosso.  Anadir Regina Graça Paiva, ou melhor, Dudy Paiva, nascida e criada na praia, em Ubatuba, litoral de São Paulo, onde a mãe tinha casas de aluguel. Dudy conheceu o esposo Luiz Fernando Ribeiro Paiva (Nando) quando a família dele alugou uma dessas casas. “Eu tinha 16 anos e a gente se conheceu na praia. Meu pai tinha um barco de pesca que eu usava para pegar onda quando era menina. Minha mãe tinha casas de alugueis na praia. A tia do Nando alugou uma dessas casas. No ano seguinte eles alugaram novamente e começamos a namorar e nesse meio tempo meu tio comprou umas terras em Mato Grosso. E meu esposo disse que esse também era o sonho dele, ser agricultor e ter uma terra em Mato Grosso. Viemos pra cá para conhecer onde ia ser a fazenda. Entramos pela mata, onde havia um palanque com uma placa que dizia que ali começava a fazenda Santana. Foi preciso abrir a lavoura e estradas. Viemos com nosso filho Juliano com 6 meses pra cá. Ele teve malária, foi bem difícil, quase desistimos, a gente queria vender tudo e voltar pra trás porque a gente pensou que ia quase perder nosso filho. A cidade de Sorriso começava com o posto de gasolina com duas bombas, não tinha quase nada aqui”.

Como tudo começou na Fazenda Santana

Dudy está em Sorriso desde 1978 e conta que começaram com o gado e depois introduziram a agricultura. “Começamos a formação de pastagem para trabalhar com gado. Anos depois começamos com a agricultura e também foi um período de aprendizado. No início produzia muito pouco. Muitas pessoas que vieram pra cá não tiveram coragem de ficar. Eu tinha 22, 23 anos quando vim pra cá, hoje dá pra dizer que valeu a pena”.

Hoje o seu filho Juliano, que teve malária quando era bebê, é o responsável pela fazenda. “Juliano Paiva, que me deu três lindos netos mato-grossenses: o Arthur Cunha Paiva, o Guilherme Cunha Paiva e a Manuela Beker Paiva, hoje é o Juliano que cuida de tudo”, afirma”.

Mulher forte e guerreira que venceu o câncer de mama

Dudy foi presidente da APAE, trabalhando voluntariamente por 7 anos e quando deixou a diretoria da entidade, com a sensação de dever cumprido, pensou que era momento de cuidar de si própria. Após alguns meses, acabou descobrindo um câncer. Mas enfrentou de frente a doença com o apoio incondicional do marido.  “Lembro de estar sentada na cadeira dentro do consultório do médico, junto ao meu marido, e perguntar: ‘doutor, o que eu tenho?’ e o médico respondeu: ‘Um câncer, Dudy, mas não se preocupe, vamos tratar’. Precisei ficar em São Paulo para fazer sessões de radioterapia e meu marido sempre ficou ao meu lado”.

Como se tornou presidente do Cat:

 “Estava muito parada em casa, então resolvi participar de uma reunião do CAT. Lá observei que podia contribuir com algumas coisas. Algum tempo depois fui convidada a assumir a presidência da instituição.”

Dudy Paiva, foi convidada para palestrar na Europa, para compartilhar sua história de vida e do município de Sorriso na conferência Anual da Associação Internacional de Soja Responsável (RTRS), realizada na França. Em outra oportunidade, também foi até a Holanda e palestrou sobre agricultura familiar no Brasil. “Quando recebi o primeiro convite achei que era brincadeira, mas, de repente, o assunto foi tomando corpo e, quando vi, lá estava falando para todas aquelas pessoas sobre o trabalho que desenvolvo no meu país”.

O incêndio na fazenda

Um outro momento difícil na vida de Dudy foi quando a fazenda Santana foi atingida de um incêndio. Quase toda fazenda foi consumida pelo fogo. A preocupação do casal com o meio ambiente sempre esteve entre as prioridades. A propriedade faz que faz parte do projeto Gente que Produz e Preserva, do Cat, onde Dudy Paiva ocupa o cargo de presidente. Além da pastagem e de toda palhada da lavoura que foram queimadas, havia na propriedade uma vitrine tecnológica com espécies de arvores nativas e mais de 450 hectares de área de preservação permanente na fazenda. Tudo foi consumido pelo fogo. O maquinário existente na propriedade também foi salvo por pouco. A produtora rural Dudy Paiva ficou inconsolável com a perda enorme que a família teve por conta do incêndio que consumiu praticamente 90% da propriedade. “Ficamos desolados, quase nos queimamos, Deus nos protegeu. Queimou tudo, conseguimos salvar o gado, os levando para perto da sede. Foi uma situação realmente muito difícil. Deus nos protegeu. Havíamos comprado há pouco tempo uma caixa d’água com o valor da bonificação dos créditos da soja certificada. A caixa d’água foi importante para abastecer os caminhões pipa que fizeram o combate ao incêndio e preservou a sede onde estávamos”.

O Fórum é uma realização do Cat Sorriso e da Idh – Iniciativa para o Comércio Sustentável e tem apoio do Sindicato Rural, da Acrismat, da Prefeitura de Sorriso, da Associação Senhoras de Rotarianos, da Rede Mulher e tem como parceiro a Associação Produtiva Mulheres da Poranga. Durante o fórum, também será realizada a feira virtual. Produtores interessados podem cadastrar seus produtos para exposição.

Para saber mais informações acesse o site: www.catsorriso.com.br, ou ligue: 3544-3379. O Cat Sorriso funciona em sala anexa ao Sindicato Rural de Sorriso, na Avenida Marginal Esquerda, 1415.