fbpx
normal_IMG_2611

Alternativa é apresentada a produtores para solucionar problema de resíduos sólidos nas propriedades rurais

Compartilhe nas redes sociais

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no print
Compartilhar no email

No município que se tornou o maior produtor mundial de soja, a agricultura movimenta a economia. Sorriso produziu na safra 2013/2014 2,7 toneladas de soja em aproximadamente  633 hectares plantados, segundo dados do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA) sem falar nas outras culturas como o milho, algodão, arroz, feijão e pecuária.Mas com o crescimento da atividade, ao longo dos anos, aumentou também a preocupação dos produtores em relação a um assunto: a geração indiscriminada de resíduos causados pelo plantio.Lonas, bags, sacos de sementes, baldes onde estavam armazenados os nutrientes, tudo vai se acumulando na sede e nos barracões das propriedades.A angústia dos produtores em não ter o que fazer com esses resíduos, foi dividida com a equipe do Clube Amigos da Terra (CAT), que rotineiramente visita as fazendas através do projeto “Gente que Produz e Preserva”.A coordenadora do projeto, Cynthia Cominesi, conta que diante dessa dificuldade dos produtores que estão dentro do projeto “Gente que Produz e Preserva, o CAT buscou alternativas para ajuda-los. “Nós tínhamos programado um dia de campo sobre a certificação da soja RTRS e achamos muito oportuno trazer para o evento esse assunto”. 

A alternativa, oferecida aos produtores de Sorriso e região veio de Sinop. É da capital do Nortão o palestrante João Luiz Crosara Abrahão. O empresário viu na preocupação dos produtores uma oportunidade de negócio. Ele conta que criou a empresa Canaã Norte Reciclagem, especializada em coleta de resíduos em propriedades rurais depois da conversa com um grande produtor. “Surgiu essa necessidade e eu decidi apostar na ideia e tem dado muito certo. Além de resolver o problema do acumulo de lixo nas fazendas o produtor ainda ganha dinheiro com isso”, completou Abrahão.

A empresa faz a coleta com um caminhão e paga por quilo. O valor varia de acordo com a localização da fazenda por causa do custo do frete. A empresa também oferece um valor fixo para os produtores que optarem por levar os resíduos até a empresa. Abrahão explica que o lucro é significativo e que as vantagens vão além da questão financeira. “Vai gerar em torno de R$ 300 a R$ 400 a tonelada mas além disso os nossos clientes recebem uma certificação de desagregação como propriedade ambientalmente correta”. 

Quem trabalha no campo, como a dona Adilene Locatelli aprovou a iniciativa principalmente por receber pelas boas práticas. “Ganhar dinheiro com o lixo é maravilhoso. Sem falar que vamos contribuir com o meio ambiente. Eu acredito que é uma questão de opção do produtor para dar o primeiro passo”, disse Adilene.

 Resíduos Contaminados

 Durante o plantio, as propriedades também produzem os resíduos classificados como contaminados. Um exemplo são as peças das máquinas agrícolas e os materiais que tem contato com óleo diesel. Nesse caso, a coleta não é feita pela Empresa Canaã Norte Reciclagem, mas como além de volume esse produtos químicos prejudicam o meio ambiente, empresas tem orientado os clientes e até recolhido esses resíduos. 

É o caso da Agro Baggio, concessionária John Deere.  A empresa começou a fazer a destinação correta dos resíduos contaminados produzidos nas lojas espalhadas pelo Brasil e depois ofereceu esse “serviço” aos clientes. “Todos os nossos funcionários são orientados a recolher os resíduos contaminados nas propriedades quando vamos até o local prestar um serviço. Óleo, filtros, papelão e plástico contaminado pelos lubrificantes tudo é recolhido e levado para a empresa de onde é encaminhado para o destino correto”, garantiu Rodolfo Yanosteac, gerente de serviço da empresa.

Produzir soja respeitando todas as normas de trabalho e regras ambientais, vão resultar na certificação da produção. Com isso o produtor aumenta a eficiência na gestão da propriedade, e demonstra que tem compromisso social e ambiental da produção.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que antigamente os resíduos rurais no Brasil tinham destinos inadequados. Do total do lixo da zona rural produzido no ano 2.000, por exemplo, 52,5% foram enterrados ou queimados. 

 Embalagens de Agrotóxicos 

 Desde 2002 o produtor tem a obrigação de devolver as embalagens vazias de agrotóxicos as centrais de recebimento espalhadas pelo país. Das centrais, as embalagens retornam para a indústria fabricante. É o chamado sistema de logística reversa.

Resíduos Orgânicos

 Quando o assunto é resíduo orgânico a melhor alternativa é a compostagem. Um processo biológico em que os microrganismos transformam a matéria orgânica em adubo. Método incentivado pelo CAT nas fazendas e também nas pequenas propriedades da agricultura familiar.

 O projeto Gente que Produz e Preserva, do Clube Amigos da Terra, o CAT, está sendo desenvolvido em parceria com a WWF Brasil, Instituto Centro de Vida, Bel, Solidariedad e IDH, e visa promover até 2016 um sistema de produção de soja sustentável em prol da proteção da biodiversidade no estado do Mato Grosso.